domingo, 22 de maio de 2011

Responsavelmente IRRESPONSÁVEL

Existem certas ocasiões (muitas, na verdade) em que simplesmente não dá pra fazer o que se tem que fazer. É fato: toda vez que você tem que fazer algo, como um trabalho ou estudar, SEMPRE aparece outra coisa muito mais interessante pra fazer. Ou não.
Tipo, agora eu deveria estar lendo um livro para uma prova ou estudando para um seminário, mas eu estou na internet postando no meu blog.
eu juro que eu até tentei estudar, mas acaba aparecendo alguém, ou dando um soninho, ou eu simplesmente não me concentro.

Segundo a lei de Parkinson: "O trabalho existente aumenta a fim de preenche e ocupar todo o tempo disponível para a sua conclusão."
Então, pra quê fazer tudo em um mês se você pode fazer em uma semana? E com o tempo extra sempre dá pra ficar conversando, assistir um filme, ou ficar na internet.

Resultado: você SEMPRE vai deixar pra fazer TODAS as suas obrigações de última hora. E é tudo culpa da maldita adrenalina. Aquela sensaçãozinha de "será que eu vou conseguir" que, geralmente, vem acompanhada daquela "pqp! Eu consegui! Eu sou muito foda!", dentre outras exclamações de autoelogio.
Você até pensa que tem que parar com isso, que é muita aflição desnecessária. Mas acontece que na maioria das vezes acaba dando certo. E quando aparece uma nova obrigação, lá se vem o pensamento de "Ah! Mas eu ainda tenho muito tempo", pra quando você estiver com o prazo apertado pensar "pqp! Eu fiz isso de novo". E acontece realmente tudo de novo. É um ciclo vicioso.


E o mais incrível de tudo é quando você acaba conseguindo fazer TUDO. Chega a ser inacreditável.
Sem falar naqueles casos que você ainda faz um trabalho muito melhor do que o daquela pessoa que começou a fazer no dia em que foi passado e estava todo tempo lhe reprimindo.
Eu chamo isso de ironia. E eu acho muita graça disso.
O foda é quando dá errado e você tem que escutar a famigerada frase "eu avisei". Isso se chama carma. E isso já não é muito engraçado...

sábado, 16 de abril de 2011

Isso foi uma indireta?

Todo ser humano normal sabe o que é uma indireta. Mas se você não estiver dentro desse grupo, eu dou uma explicaçãozinha básica: é quando alguém fala algo com sutileza, ironia e/ou sarcasmo para a mensagem real ser entendida nas entrelinhas.

A indireta pode ser utilizada para frescar com a cara de uma pessoa, paquerar ou, na maioria das vezes, dar um fora. Digamos que ela evita uma situação ainda mais constrangedora, transformando algo grosseiro em algo divertido. Também é responsável por preservar muitas amizades. Ou acabar com elas.


Na maioria das vezes, é muito fácil entender a indireta, quando a pessoa sabe dar indireta. Mas esse não é o foco deste post. Como sempre, eu quero reclamar daqueles casos que me deixam mais indignada. Hoje, os dois extremos: aqueles que não entendem as indiretas, e aqueles que acham que tudo é indireta.

No primeiro caso, qualquer tipo de praticidade e sutileza na transmissão de informações está vetado. O que é um saco. Você tem que ser extremamente claro e fingir que está dando uma indireta, quando, na verdade, você vomitou os fatos na cara do "lesado". E isso ainda pode não dar certo... Aí você vai ser obrigado a desenhar, literalmente.

O segundo caso é o mais revoltante e indignante de todos.
Tem gente que SE ACHA o centro do universo e a pessoa mais importante do mundo, o preenchimento de todos os pensamentos, e, por isso, acha que em tudo o que os outros falam tem uma indireta para ele.
Alô! Você é insignificante! Pra quê eu vou perder o meu tempo criando mensagem subliminar para você? Acorda, Alice!

E, sim, ISSO foi uma indireta. E essa foi uma excessão. Então, pode se sentir importante.
Entendeu a diferença agora?

sábado, 2 de abril de 2011

Foi só uma mentirinha inocente

Mas é claro que eu não podia deixar o 1º de abril passar em branco. Até porque esse é um tema PERFEITO para se comentar...

Mentir ou não mentir? Eis a questão...

O fato é que, como diria House, "everybody lies"; essa é a única verdade absoluta e as pessoas têm que se acostumar com isso. Mas também não quer dizer que todo mundo mente o tempo todo (apesar de algumas pessoas conseguirem essa proeza).

Outra verdade é que, mesmo podendo ser uma coisa ruim, a mentira é necessária na vida das pessoas.
Se todo mundo só falasse a verdade, muita coisa iria perder a graça...
Por exemplo: como você iria se divertir inventando alguma história absurda para aquele seu amigo mais lento? Se o divertido é rir da cara dele quando ele acredita naquilo.
E como é que você conseguiria se sair de situações chatinhas sem magoar as pessoas? "Eu estou muito ocupado" é melhor do que um "se manca e para de encher".

Eu, particularmente, minto MUUUITO. Mas, infelizmente, eu não consigo sustentar uma mentira por muito tempo. A vontade de rir é sempre maior do que a curiosidade de saber até onde a "estória" vai dar.
E, às vezes, não saber mentir direito pode ser um problema terrível. Ainda mais em situações complicadas ou de risco como quando você pega algo da sua mãe escondido e acaba quebrando (é incrível a facilidade de acontecerem coisas ruins quando você faz algo errado), aí você diz que só pegou pra ver, mas você acabou tropeçando no próprio pé e deixou cair. E depois é ficar na torcida para que ela engula a história e não pergunte de novo.

Agora, o mais incrível de tudo: é no dia da mentira que as pessoas aproveitam para falar mais verdades. Eu ouvi um comentário de que é no 1º de abril que você fala aquilo que você sempre pensou e guardou para si, e depois fala "é o dia da mentiraaaa..." - tá bom...

De qualquer forma, mentir não é de todo um mal. Eu diria que é até bom. Porque, além de você se divertir pregando algumas peças, você ainda ri pegando o outro na mentira.
Agora, se é você que é pego na mentira... o jeito é apelar para aquela velha frase "foi só uma mentirinha inocente... pra descontrair" - e torcer pra eles acreditarem pelo menos nessa.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Foi mal, mas a minha bola de cristal quebrou

Sabe aquelas pessoas que querem que você saiba de tudo, ou melhor, adivinhe tudo? Pensamentos, deveres, favores, HUMOR... Pois é.

Tem muita gente com sérios problemas de persepção de realidade e de possibilidade humana. Elas acham que você deveria saber de algo, mesmo quando elas não fala nada, e ainda se acham no direito de ficar com raiva e/ou brigar porque você não sabe o que ela queria que você soubesse.
Aí dá-se aquela sequência de diálogos inúteis e sem sentido do tipo:

"Eu tenho que te dizer tudo, é?"  -  "Hã?"
"Por que você não fez isso?"  -  "O quê?"
"E ainda se faz de lesada..."  -  "Eu posso saber o que você quer que eu faça?"
"Quando você me pedir alguma coisa eu vou fazer do mesmo jeito que você fez!"  -  "Mas você NÃO me pediu NADA!"
"Mas é muito preguiçosa mesmo..."  - #@&¨F%!*O#&¢!!!

E nem adianta argumentar, se dispôr a fazer qualquer coisa, pedir de desculpa por algo que você não teve culpa, porque não vai adiantar de PORRA nenhuma.

Ainda tem aquela ocasião que a pessoa esquece de fazer alguma coisa e quer que você adivinhe que ela esqueceu e que ajeite para ela. E não adivinhe não pra ver o que acontece...
"IRRESPONSÁVEL! INÚTIL! PREGUIÇOSA!!!"
ou ainda...
"Essa cabeça só serve pra separar orelha e crescer cabelo, é?"

Eu posso até ter usado só os exemplos que eu vejo (e sofro) aqui em casa (é! a minha família é doce e delicada assim mesmo). Mas isso não é só um privilégio da minha família. Tem muita gente sem noção por aí que acha que todo mundo tem uma veia cigana e se estressa quando a bola de cristal do outro falha. Na escola, na faculdade, no trabalho e até no meio da rua (é sério - a pessoa nem te conhece e quer que você descubra que ela quer alguma coisa).



Agora, me diz! Me diz o que é que dá pra fazer numa situação dessa? Além de esperar a pessoa se virar e rir da cara dela, é lógico...

quinta-feira, 10 de março de 2011

Palavrão? Não... Força de expressão

Convencionalmente, costuma-se chamar a pessoa que fala muitos palavrões de "boca suja". Mas por quê? Por que é um "nome feio"? E quem disse que é feio? O que/quem define uma palavra como culta e bonita ou vulgar e feia?

Falar palavrões nada mais é do que uma maneira de se expressar. É muito difícil encontrar uma palavra mais polida e menos agressiva para transmitir a real intensidade dos seus sentimentos. Sem falar na incrível dubiedade dos palavrões: eles podem tanto expressar algo muito bom ou muito ruim, uma alegria imensa ou uma raiva indescritível.

Um amigo meu tem a seguinte teoria: os palavrões fazem parte do arco reflexo, pois, às vezes, junto de um movimento súbito, vem um "nome feio". E como, sonoramente, não tem um efeito "apreciável", definiu-se como algo vulgar.

Por exemplo: puta que pariu. Você diz puta que pariu quando bate o seu dedinho do pé em algum lugar. Um AI nunca vai emitir o tamanho da sua dor e indignação pela sua leseira, por assim dizer. Mas também se usa um puta que pariu quando você tem uma surpresa muito boa, um amigo que você não vê há tempos, ou um presente muito foda que vocêacaba de ganhar. Dizer um NOSSA soa sem entusiasmo e não traz a mesma emoção.


FODA então...  Isso é foda! pode ser algo muito bom, ou algo muito chato. Pode-se usar o foda até com malícia.


PORRA! Existe uma palavra mais multi-uso do que essa? Que porra é essa? Pooorraaa... ou simplesmente Porra. Traduzem diferentes níveis de indignação, ou surpresa. Dizer um POXA não é a mesma coisa... Fica faltando um impacto a mais.


E CARALHO? Usado tanto para surpresa positivas, como para as negativas; tudo depende do quanto você prolonga o segundo A.

E ainda tem aquela história de que mulher não pode falar palavrão. Por que vai de encontro com a delicadeza natural das mulheres. O caralho! Tem certas horas que nós precisamos de algo impactante. O cara faz a maior sacanagem e eu vou chamar ele de boboca? Mas é CLARO que não. Vou chamar ele de filho da puta escroto, otário e idiota. Ou algo terrível acontece e você vai dizer "que coisa mais chata", ou pior, e tem gente que fala mesmo, "que cocô!". Fezes, por fezes, muito mais libertador exclamar um MERDA!

É óbvio que não se deve aplaudir o uso indiscriminado de palavrões. Afinal, síndrome de Tourette é uma doença. Mas recriminar uma pessoa só porque, de vez em quando, ela tem a necessidade de enfatizar um sentimento, seja de alegria, raiva ou frustração, é uma puta idiotice do caralho.

Eu adoraria não falar "nomes feios". Mas aí eu perderia o impacto/exagero/emoção das minhas frases, o que tiraria toda a graça da réplica/conversa/discussão. Então, foda-se. Entre o bonito e o feio, eu prefiro me expressar.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Deve ser legal ser um cachorro...

Quem nunca pensou, pelo menos uma vez, que a vida seria muito mais fácil caso fosse um bicho de estimação?
E que melhor bicho para ser do que um cachorro? Alegre, fofinho e divertido.
Não ter preocupações, levar tudo na brincadeira, não guardar mágoas. E o melhor de tudo, poder se divertir com as bizarrices que as pessoas fazem para chamar a atenção: "culuculuculuculu", "ati mamazinha", "mininu pêtu", "meu ámoooor", "quiisquiisquiis"... sem falar nas caretas. Fica difícil dizer se as pessoas ficam mais ridículas diante de um cachorro ou de um bebê. De um cachorro bebê talvez... Não?

Poder se divertir com coisas triviais como uma garrafa de plástico, um pedaço de corda, um balão, ou até mesmo um pedaço de maçã.

Não guardar rancor após uma briga. Dar um tempo, e depois voltar como se nada tivesse acontecido.

Ser amado incondicionalmente e OUVIR isso todos os dias.

Levar conforto e alegria para as pessoas precisando apenas estar presente ou dar aquela encostadinha do focinho.

Ajudar a família a "manter a forma" brincando de pega-pega.

E o mais incrível de tudo: se fazer entender por um olhar. Pra quê falar?

Eu não sei se alguém concorda comigo, mas às vezes eu queria ser um "cachorro de família"; ter uma vida tranquila e feliz, sem os problemas e preocupações do ônus de ser humano.







PS: Post livremente inspirado nas peripécias do Fred.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O porquê

Eu meio que fui inspirada a fazer esse post na aula de hoje. Primeira aula, de fato, na faculdade, e a pergunta que lembra a tia da 2ª série perguntando sobre as férias: "Por que você escolheu esse curso?"
Então, por que jornalismo?

Acho que já postei aqui que eu amo ler, principalmente literatura, desde clássicos a best-sellers, e que eu adoro escrever - desde os meus doze anos eu faço agenda e, pô, eu fiz um blog! Além disso, eu tenho muito aquela vontade egocêntrica de ser reconhecida e elogiada por algo que eu sei fazer bem, e eu sempre tive meus textos elogiados, então eu pensei que, talvez, eu poderia ficar famosa com os meus textos. Pretensiosa, não?

Bem, desde pequena, eu sempre sou solicitada para escrever as homenagens em eventos familiares e sempre sou intimada a ler textos comemorativos. Também dizem que eu sei me expressar bem. Eu não sou o tipo de pessoa que sabe de tudo, mas eu sempre posso fazer um comentário ou dar a minha opinião sobre diversos temas.

Eu já tive algumas experiências com o jornalismo que, eu sinto, influenciaram a minha decisão.
Eu já tive uma redação selecionada para aparecer no jornal da escola, na quarta série. Já tirei duas vezes o segundo lugar na semana de poesia do colégio (não me lembro os anos e não me atrevo a escrever poesia de novo). Já fui ovacionada (exagero?) após um professor ler uma adaptação que eu fiz de um artigo de jornal (nós tínhamos que transformar a linguagem referencial em poética). Já fiz um jornal para um trabalho da semana cultural do colégio. Já apresentei muitos trabalhos em forma de telejornal (nada mais chato do que uma apresentação convencional; um monte de gente falando um texto decorado e segurando um cartaz).

Na faculdade (na História), eu tive um trabalho no qual nós tínhamos que procurar fontes primárias (jornais, documentos oficiais,  fontes orais, fotos). O trabalho era em equipe, mas eu acabei tendo que fazer sozinha porque os outros membros do grupo eram... (melhor deixar pra lá). Nisso, eu passei dias pesquisando em jornais antigos, procurando relatos e documentos e fazendo entrevistas. Foi cansativo, estressante e desgastante, mas eu nunca me diverti tanto fazendo um trabalho. Eu simplesmente gostei tanto de fazer tudo aquilo, que nem me importei de fazer tudo sozinha. Eu só fiquei com raiva no dia da apresentação, que os outros "membros" da equipe não conseguiram manter o nível que eu tinha conseguido formar.

Então, mesmo com essa insegurança e receio do "desconhecido" que eu estou sentindo, lembrando desses fatos eu chego à conclusão que eu fiz uma escolha certa. Eu escolhi fazer algo que eu sei que vai me dar prazer, vai me instigar e vai propor desafios que serão ótimos de aceitar.
Sei lá. Só de escrever tudo isso, eu já me sinto bem melhor e mais segura.



PS: Esses três posts estão praticamente realizando o meu sonho de escrever uma trilogia.
Tá, eu sei. Eu sou muito besta. Mas... fazer o quê?

sábado, 19 de fevereiro de 2011

E agora?

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?
Carlos Drummond de Andrade

Passei pra jornalismo na federal! E agora?

Sei lá. Quando a gente está na dúvida do que fazer, ou está criando coragem pra ir atrás do que a gente quer, tudo parece mais legal, instigador. Depois que a gente supostamente consegue o que idealizou, parece que perde a graça.

Sem mais aquela expectativa "será que eu vou conseguir?" Sem mais aquela ansiedade "como vai ser o trote?" Sem mais aquela perturbação "o que os outros vão dizer?"
Era para eu estar dando piruetas de tanta felicidade: EU PASSEI! Mas não é assim que eu estou agora.
É claro que eu fiquei feliz, mas parece que está faltando alguma coisa.

Qual é o meu objetivo agora? Terminar a faculdade? É obvio. Achar um bom emprego? Evidente que sim. Mas essas motivações parecem não ser suficientes.
Eu passei tanto tempo pra me libertar da opinião dos outros, pra tomar a minha própria decisão, que agora eu me sinto livre... e só. É como se eu tivesse que tomar todas as decisões sozinha e tivesse a obrigação de acertar em todas para EU não ter que ouvir a famigerada frase "eu disse, mas ninguém me ouve". Na verdade, eu acabo de jogar por terra todos os conselhos que me deram nos últimos quatro anos pelo menos.

Tenso, né? Ou não. Ou eu só sou exagerada mesmo.

É como naquele velho ditado que você só dá valor a algo quando perde. Eu passei tanto tempo agoniada com a situação que, agora que ela passou, eu meio que não sei o que fazer e como vai ser. Não que eu queira passar por tudo aquilo de novo. Nunca mais. Eu só saí de um "lugar seguro", previsível.

E nunca esse ditado esteve tão certo pra mim em muitos outros sentidos. Mas eu não estou muito afim de escrever sobre isso. Afinal, me disseram, eu que não ouvi.